Geolocalização no SisDEA: veja o que vem na versão 2 – Um Guia de Utilização da Exportação para Mapas no SisDEA

    Geolocalização no SisDEA: veja o que vem na versão 2 – Um Guia de Utilização da Exportação para Mapas no SisDEA
    6 horas atrás

    1. Para que serve

    A Exportação para mapas gera um arquivo com a geolocalização de cada dado do modelo, a partir das variáveis que guardam as coordenadas X e Y. O arquivo abre em aplicativos de mapas, como Google Earth, Google My Maps e QGIS, e mostra os pontos sobre a imagem de satélite ou o mapa de ruas.

    Com o mapa é possível:

    • ver como a amostra se distribui na região e localizar o imóvel avaliando no meio dela;
    • conferir se cada dado está no lugar certo, já que um erro de digitação nas coordenadas aparece como um ponto fora da região;
    • identificar dados distantes ou isolados do restante da amostra;
    • ilustrar o laudo com a localização dos dados de mercado.

    Cada ponto leva todas as variáveis do dado, numéricas e alfanuméricas. Elas aparecem ao clicar no ponto.

    A exportação não altera o modelo, os dados nem a equação. Ela só lê os dados e grava o arquivo de mapa.

    2. Conceitos básicos

    2.1 Coordenadas em graus decimais

    São a latitude e a longitude, em graus, com a fração escrita em decimais:

    CoordenadaO que indicaNo Brasil
    Latitude (Y)posição norte–sulde +5 (Roraima) a −34 (Rio Grande do Sul); negativa ao sul do Equador
    Longitude (X)posição leste–oestede −34 (litoral do Nordeste) a −74 (Acre); sempre negativa

    Exemplo, Praça da Liberdade em Belo Horizonte: latitude −19,9320, longitude −43,9380.

    Atenção ao sinal. No Brasil a longitude é sempre negativa, e a latitude é negativa em quase todo o território. Um sinal esquecido leva o ponto para outro continente.

    Coordenadas em graus, minutos e segundos (por exemplo, 19° 55′ 55″ S) precisam ser convertidas antes de entrar no SisDEA:

    graus decimais = −(graus + minutos/60 + segundos/3600) (para S e para W)
    19° 55′ 55″ S → −(19 + 55/60 + 55/3600) = −19,9319

    2.2 Coordenadas UTM

    No sistema UTM (Universal Transversa de Mercator), a posição é dada em metros:

    CoordenadaO que indicaValores típicos
    E (Este) (X)distância para leste dentro do fusode 166.000 a 834.000 m
    N (Norte) (Y)distância para o norteno hemisfério Sul, de 6.200.000 a 10.000.000 m

    O valor E/N sozinho não identifica o lugar. A mesma coordenada se repete em cada fuso, e por isso é preciso informar também:

    • o fuso UTM: uma faixa de 6° de longitude, numerada de 18 a 25 no Brasil;
    • o hemisfério: Sul em quase todo o Brasil; Norte em parte de Roraima, do Amapá, do Amazonas e do Pará.

    Fuso e hemisfério costumam estar indicados na planta, no levantamento topográfico ou no sistema de cadastro de onde vieram as coordenadas. Referência pelas capitais:

    FusoCapitais
    19Rio Branco
    20Manaus, Porto Velho, Boa Vista (hemisfério Norte)
    21Cuiabá, Campo Grande
    22Belém, Macapá (hemisfério Norte), Palmas, Goiânia, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre
    23Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Luís, Teresina
    24Vitória, Salvador, Aracaju, Fortaleza
    25Maceió, Recife, João Pessoa, Natal

    O fuso depende da longitude do local, não do estado. Em um mesmo estado podem existir dois fusos, como em São Paulo (22 e 23) e em Minas Gerais (22, 23 e 24). Se a longitude for conhecida:
    .

    fuso = parte inteira de ((longitude + 180) / 6) + 1

    2.3 O datum

    O datum é a referência geodésica das coordenadas. O SisDEA aceita, nesta versão, coordenadas em SIRGAS 2000 (o padrão oficial no Brasil) ou WGS84 (o padrão do GPS e do Google). Para mapas, os dois são equivalentes, com diferença inferior a 1 metro.

    Levantamentos antigos podem estar em SAD69 ou Córrego Alegre. Nesse caso, os pontos aparecem deslocados de 50 a 70 metros em relação à imagem. Converta as coordenadas para SIRGAS 2000 antes de exportar, por exemplo com o ProGriD do IBGE ou no QGIS.

    2.4 Amostra e avaliandos

    Tipo de pontoOrigemNo mapa
    Amostra habilitadadados do modelocírculo azul
    Amostra desabilitadadados desabilitados do modelocírculo cinza, menor
    Avaliandodados da projeção de valoresestrela vermelha, maior

    3. Antes de começar

    1. Inclua as coordenadas como variáveis numéricas. São duas variáveis: uma para X (longitude ou Este) e outra para Y (latitude ou Norte). Use Dados → Incluir variáveis ou importe a planilha já com as duas colunas.
    2. Use nomes reconhecíveis. O SisDEA sugere as variáveis automaticamente quando os nomes são X / Y, Longitude / Latitude, Lon / Lat, Coord X / Coord Y, E / N, Este / Norte, UTM E / UTM N ou Easting / Northing.
    3. As coordenadas não precisam estar habilitadas. A exportação usa as variáveis de coordenadas mesmo quando elas estão desabilitadas para o cálculo do modelo.
    4. Dados sem coordenadas podem ficar com zero: o SisDEA os identifica e não os exporta.
    5. Coordenadas dos avaliandos: preencha X e Y também nos dados da projeção de valores para que os avaliandos apareçam no mapa.

    Dica: no Google Maps, clique com o botão direito sobre o imóvel. As coordenadas aparecem no topo do menu, na ordem latitude, longitude (por exemplo, -19.93204, -43.93801). Clique nelas para copiar. Lembre que a primeira é a latitude (Y) e a segunda a longitude (X).

    4. Como exportar

    4.1 Passo a passo

    • Abra o modelo e clique em Dados → Exportar → Exportar para mapas.
    • Na janela Exportar para mapas, confira as variáveis, o sistema de coordenadas e o conteúdo (seção 4.2).
    • Confira a seção Verificação (seção 4.3).
    • Clique em Exportar…. Escolha o tipo (KML, GeoJSON ou CSV), o local e o nome do arquivo.
    • Ao final, o SisDEA informa quantos pontos foram exportados e quantos dados ficaram de fora por não terem coordenadas válidas.

    4.2 A janela de configuração

    ItemO que informar
    Variável X (longitude / Este)a variável numérica com a longitude (graus) ou o Este (UTM)
    Variável Y (latitude / Norte)a variável numérica com a latitude (graus) ou o Norte (UTM)
    Sistema de coordenadasGraus decimais (latitude / longitude) ou UTM (Este / Norte)
    Fuso UTMde 18 a 25; só fica disponível no sistema UTM
    HemisférioSul ou Norte; só fica disponível no sistema UTM
    DatumSIRGAS 2000 / WGS84 (fixo nesta versão)

    Na primeira exportação de um modelo, o SisDEA sugere as variáveis X e Y pelos nomes (seção 3) e o sistema pela faixa dos valores. Valores até 180 são tratados como graus; valores na casa das centenas de milhares e dos milhões, como UTM. O fuso e o hemisfério não podem ser deduzidos e precisam ser conferidos.

    ItemEfeito
    Rótulo do pontoo texto exibido ao lado de cada ponto: Nº do dado (“Dado 12”, “Avaliando 1”) ou uma variável alfanumérica, como o endereço
    Incluir dados desabilitadosexporta também os dados desabilitados, em cinza e com a situação “Desabilitado”
    Incluir avaliandos (projeção)exporta os dados da projeção de valores como avaliandos

    Se a variável escolhida como rótulo estiver vazia em algum dado, esse ponto recebe o rótulo “Dado N” ou “Avaliando N”.

    4.3 A verificação

    A seção Verificação é atualizada a cada alteração na janela:

    ItemO que mostra
    1º dado (latitude; longitude)as coordenadas geográficas do primeiro dado, já convertidas
    Dados com coordenadas válidasquantos dados da amostra têm coordenadas válidas no sistema escolhido, por exemplo “118 de 120”

    Use esses dois itens para conferir a configuração antes de exportar:

    • se o 1º dado mostrar “Coordenadas inválidas”, as variáveis ou o sistema estão errados;
    • se aparecer “fora do Brasil”, X e Y provavelmente estão trocados, falta o sinal negativo ou o fuso está errado;
    • se a contagem de dados válidos for muito menor que o total, o sistema escolhido provavelmente não corresponde aos valores.

    Para conferir o 1º dado, cole a latitude e a longitude mostradas na busca do Google Maps (-19.9320, -43.9380).

    4.4 A configuração fica salva no modelo

    As escolhas da janela (variáveis, sistema, fuso, hemisfério, rótulo e opções) são gravadas no arquivo do modelo (.sdax) quando o modelo é salvo. Na próxima exportação, a janela já abre com elas.

    As variáveis são lembradas pelo nome. Se uma variável de coordenada for renomeada ou excluída, a janela volta a sugerir as variáveis pelos nomes.

    Os formatos de arquivo

    5.1 KML: Google Earth e Google My Maps (recomendado)

    CaracterísticaDescrição
    Extensão.kml
    Abre emGoogle Earth Pro, Google Earth na web, Google My Maps, QGIS, ArcGIS
    Organizaçãoduas pastas: Amostra e Avaliandos
    Aparênciaazul (amostra), cinza (desabilitado) e estrela vermelha (avaliando), com rótulo
    Ao clicar no pontotabela com a situação (habilitado/desabilitado) e todas as variáveis

    É o formato mais indicado para visualizar a amostra e para ilustrar o laudo.

    5.2 GeoJSON: QGIS e mapas na web

    CaracterísticaDescrição
    Extensão.geojson
    Abre emQGIS, ArcGIS, geojson.io, Mapbox, Leaflet, OpenLayers, visualização do GitHub
    Atributosrotulo, tipo (amostra/avaliando), habilitado (true/false) e todas as variáveis; os valores numéricos ficam como números

    É o formato mais indicado para análises em SIG (QGIS). Os atributos numéricos permitem colorir os pontos pelo preço unitário, fazer mapas de calor, medir distâncias etc.

    5.3 CSV: planilha com latitude e longitude

    CaracterísticaDescrição
    Extensão.csv
    Abre emGoogle My Maps (importação), QGIS (texto delimitado), Power BI, Excel 3D Maps
    Colunaslatitude, longitude, rotulo, tipo, habilitado (sim/nao) e todas as variáveis
    Formatoseparador vírgula, ponto decimal, codificação UTF-8

    No Excel em português o CSV abre com todas as informações em uma só coluna, porque o Excel brasileiro espera ponto e vírgula. Para planilhas, use Dados → Exportar → Planilhas do MS Excel. O CSV de mapas é feito para os aplicativos de mapa.

    5.4 Detalhes comuns aos três formatos

    • As coordenadas são gravadas em graus decimais WGS84, com 7 casas decimais (cerca de 1 cm). Isso vale também quando os dados estão em UTM, porque o SisDEA faz a conversão.
    • Os números usam ponto decimal, como exigem esses formatos, qualquer que seja a configuração regional do Windows.
    • Se uma variável do modelo tiver o mesmo nome de uma coluna fixa (latitude, longitude,rotulo, tipo ou habilitado), ela é gravada como var_<nome> no GeoJSON e no CSV, para não repetir o nome.

    6. Abrindo o arquivo nos aplicativos

    6.1 Google Earth Pro (computador)

    Arquivo → Abrir e escolha o .kml. As pastas Amostra e Avaliandos aparecem no painel Lugares. Clique em um ponto para ver as variáveis do dado. Para salvar a vista, use Arquivo → Salvar → Salvar imagem.

    6.2 Google Earth na web

    Em earth.google.com, abra Projetos → Novo projeto → Importar arquivo KML do computador.

    6.3 Google My Maps

    Em mymaps.google.com, clique em Criar um novo mapa e depois em Importar na camada sem título. Escolha o .kml ou o .csv:

    • com o KML, os pontos chegam posicionados e com os rótulos;
    • com o CSV, o My Maps pergunta quais colunas posicionam os pontos (escolha latitude e longitude) e qual coluna dá o título (escolha rotulo).

    O My Maps importa no máximo 2.000 linhas por camada. Se a amostra for maior, o SisDEA avisa no fim da exportação. Nesse caso, use o Google Earth ou o QGIS.

    O My Maps permite compartilhar o mapa por um link, por exemplo com o cliente ou a equipe.

    6.4 QGIS

    • KML ou GeoJSON: arraste o arquivo para a janela do QGIS.
    • CSV: Camada → Adicionar camada → Adicionar camada de texto delimitado, com o campo X = longitude, o campo Y = latitude e o SRC EPSG:4326 (WGS 84) ou EPSG:4674 (SIRGAS 2000).

    Para ver a imagem de fundo, adicione um mapa base (por exemplo, OpenStreetMap em XYZ Tiles).

    6.5 Visualização rápida no navegador

    Em geojson.io, arraste o .geojson ou o .kml para a página.

    7. Usos na avaliação de imóveis

    7.1 Conferência dos dados

    Antes da modelagem, o mapa é uma checagem rápida da qualidade da amostra:

    • pontos fora da região indicam erro de digitação nas coordenadas ou no endereço;
    • pontos sobrepostos podem indicar dados duplicados ou o mesmo imóvel informado por fontes diferentes;
    • dados isolados, longe da massa da amostra, merecem atenção: podem pertencer a outro mercado.

    7.2 Localização do avaliando em relação à amostra

    O avaliando, a estrela vermelha, deve estar dentro da região coberta pela amostra. Um avaliando afastado de todos os dados indica que a estimativa depende de dados de outra localização. Nesse caso, convém avaliar a representatividade da amostra para aquele local.

    7.3 Dados desabilitados

    Exportando também os dados desabilitados, é possível ver onde estão os dados retirados da amostra. Uma concentração de dados desabilitados em uma mesma área pode indicar uma característica de localização que o modelo não está captando.

    7.4 Ilustração do laudo

    O mapa com a localização dos dados de mercado e do avaliando é um complemento útil ao laudo. Para gerar a imagem, salve-a no Google Earth Pro ou use o compositor de impressão do QGIS.

    8. Mensagens do sistema

    MensagemCausa e solução
    Selecione as variáveis com as coordenadas X e Y.Uma das variáveis de coordenadas não foi escolhida.
    As coordenadas X e Y devem estar em variáveis diferentes.A mesma variável foi escolhida para X e para Y.
    As coordenadas X e Y devem estar em variáveis numéricas.A variável salva no modelo deixou de ser numérica. Escolha as variáveis de novo.
    Nenhum dado possui coordenadas válidas no sistema escolhido…Nenhum dado pôde ser convertido. Confira as variáveis e o sistema (graus ou UTM).
    N de M pontos ficam fora do território brasileiro… Deseja exportar mesmo assim?Alguns pontos ficaram fora do Brasil. Veja a seção 9. Responda Não para voltar e corrigir.
    N pontos exportados para…Exportação concluída. Se houver, informa também quantos dados ficaram de fora por falta de coordenadas válidas.
    O Google My Maps importa no máximo 2.000 linhas por camada…A amostra é grande para o My Maps. Use o Google Earth ou o QGIS.

    9. Problemas comuns

    Sintoma no mapaCausa provávelSolução
    Pontos na África ou no oceano Índicolongitude sem o sinal negativocorrija as longitudes para valores negativos
    Pontos no meio do oceano Atlântico SulX e Y trocados (graus decimais)troque as variáveis X e Y na janela
    Pontos a centenas de km do lugar certo, na mesma latitudefuso UTM erradoconfira o fuso (seção 2.2)
    Pontos muito ao norte, perto do Árticohemisfério Norte escolhido para dados do hemisfério Sulescolha o hemisfério Sul
    Todos os pontos deslocados 50–70 m na mesma direçãocoordenadas em SAD69 ou Córrego Alegreconverta as coordenadas para SIRGAS 2000 (seção 2.3)
    Alguns dados não aparecemcoordenadas zeradas, vazias ou inválidaspreencha as coordenadas desses dados; a mensagem final informa quantos ficaram de fora
    Avaliandos não aparecemopção desmarcada ou projeção sem coordenadasmarque Incluir avaliandos e preencha X e Y na projeção
    CSV abre numa só coluna no ExcelExcel em português espera ponto e vírgulao CSV é para aplicativos de mapa; para planilhas, use a exportação para o Excel

    10. Limitações desta versão

    • Datum: só SIRGAS 2000 / WGS84. SAD69 e Córrego Alegre ainda não são convertidos.
    • Cores dos pontos: os pontos não são coloridos pelo valor estimado nem pelo resíduo; a cor indica apenas amostra, desabilitado ou avaliando. No QGIS é possível colorir pelos atributos exportados (por exemplo, o preço unitário).
    • Formatos previstos para versões futuras: HTML com mapa interativo (abre no navegador sem instalar nada), KMZ, GeoPackage e Shapefile (que mantêm as coordenadas UTM originais) e GPX (aparelhos GPS).

    11. Resumo: fluxo recomendado

    1. Inclua as coordenadas X e Y como variáveis numéricas, com nomes como Longitude e Latitude ou E e N, inclusive na projeção dos avaliandos.
    2. Dados → Exportar → Exportar para mapas
    3. Confira as variáveis, o sistema e, em UTM, o fuso e o hemisfério.
    4. Confira a Verificação: o 1º dado deve cair no lugar certo, e a contagem de dados válidos deve ser próxima do total.
    5. Exporte em KML para visualizar no Google Earth ou no My Maps, ou em GeoJSON para analisar no QGIS.
    6. No mapa, confira pontos fora do lugar, dados isolados e a posição do avaliando em relação à amostra.
    7. Salve o modelo para guardar a configuração da exportação.